Turma do primeiro semestre- Relações Públicas UNITAU 2017

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

100 anos de Relações Públicas no Brasil. Entenda, reflita e comemore!

De origem americana (1904), a profissão de Relações Públicas teve seu início no Brasil em 1914 quando o engenheiro alagoano Eduardo Pinheiro Lobo assumiu o Departamento de Relações Públicas da “The São Paulo Tramway Light and Power Co”, conhecida Light, atual Eletropaulo. Na época a cidade de São Paulo passava, assim como hoje, por uma forte estiagem e a empresa vivia uma crise junto à opinião pública, isso devido à dificuldade de geração de energia e de redução de seus recursos. Lobo, então funcionário da Light, é designado a dirigir o primeiro serviço de Relações Públicas do Brasil e da America Latina. O objetivo era informar o público, cuidar dos negócios da empresa com as autoridades estaduais e municipais, administrar passes escolares concedidos pela companhia aos estudantes e, ainda gerar transparência e esclarecimento à opinião pública. O trabalho desenvolvido por Lobo durante 19 anos conferiu o reconhecimento de seu pioneirismo e o título de patrono das Relações Públicas no Brasil, que hoje comemoramos em face da data do seu nascimento – 02 de dezembro.
Vale destacar que a atividade só veio se desenvolver de fato em meados dos anos 50 com o interesse de profissionais por especialização, desenvolvimento de cursos (FGV / ECA-USP) e criação da Associação Brasileira de Relações Públicas (1954), trilhando nas décadas seguintes um caminho de encontros e desencontros entre a teoria e a prática! Crescemos como profissão e como campo do conhecimento em comunicação.
O entendimento da origem desta atividade centenária no Brasil sugere, entretanto, uma reflexão sobre as contribuições trazidas ao cenário brasileiro. Destaco primeiramente que fazer Relações Públicas no Brasil não é o mesmo que fazer Relações Públicas nos Estados Unidos; somos um povo de contato, de troca, de interação. Assim, aprendemos que fazer “RP” requer mais que instrumentos, que canais de comunicação; requer entendimento do contexto, dos públicos, dos interesses envolvidos e uma grande dose de criatividade, de emoção e intercâmbio com as partes interessadas.
Outra questão diz respeito ao nosso “pseudo fechamento”, ou como oficialmente discutimos, a Regulamentação da Profissão no Brasil. Vejo a Lei 5.377 como um mero instrumento para instituir uma profissão e, quanto a isso, a discussão ainda vai longe... Somos, na prática das empresas, das agências, das universidades uma atividade transversal de gestão e de comunicação que entende as partes, que se abre ao debate, que aceita as diferenças, que acolhe os pares, que olha para frente e para o que realmente interessa, o público, o cliente, o consumidor, o cidadão! A lei não reflete a dinâmica e a postura dos profissionais de Relações Públicas no mercado.
Também aponto a incompreensão da atividade e, consequentemente, da atuação do profissional, mas não acredito que seja responsabilidade dos profissionais – eles sabem bem o que é e o que faz Relações Públicas. Num cenário em que a informação, a transparência, o respeito ao cliente, ao funcionário, à comunidade, à imprensa nunca foram valorizados pelas organizações, não há como se estabelecer uma prática efetiva de RP. Mas isso está mudando, hoje a comunicação não está apenas nas mãos das empresas, está também com os públicos!
E, para encerrar deixo manifestada minha alegria de poder comemorar neste 2 de dezembro de 2014 o centenário da profissão com um olhar promissor. Há tempos venho acompanhando o reposicionamento da profissão no mercado frente às exigências de uma nova comunicação, agora muito mais pautada pela filosofia de Relações Públicas que pela da imprensa, da mídia, do marketing ou da publicidade, que nos últimos anos direcionou a prática da comunicação das empresas. O momento pede relacionamento, engajamento, respeito à opinião do público e estas são premissas da profissão de Relações Públicas.
Assim, entendo que o que fizemos nestes últimos 100 anos de Relações Públicas no Brasil deve ser entendido, refletido e respeitado, mas o que vem pela frente deve ser comemorado! 



Por Prof. Me. Aline Fernanda Lima 

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