De origem
americana (1904), a profissão de Relações Públicas teve seu início no Brasil em
1914 quando o engenheiro alagoano Eduardo Pinheiro Lobo assumiu o Departamento
de Relações Públicas da “The São Paulo Tramway Light and Power Co”, conhecida
Light, atual Eletropaulo. Na época a cidade de São Paulo passava, assim como
hoje, por uma forte estiagem e a empresa vivia uma crise junto à opinião
pública, isso devido à dificuldade de geração de energia e de redução de seus
recursos. Lobo, então funcionário da Light, é designado a dirigir o primeiro
serviço de Relações Públicas do Brasil e da America Latina. O objetivo era
informar o público, cuidar dos negócios da empresa com as autoridades estaduais
e municipais, administrar passes escolares concedidos pela companhia aos
estudantes e, ainda gerar transparência e esclarecimento à opinião pública. O
trabalho desenvolvido por Lobo durante 19 anos conferiu o reconhecimento de seu
pioneirismo e o título de patrono das Relações Públicas no Brasil, que hoje
comemoramos em face da data do seu nascimento – 02 de dezembro.
Vale destacar
que a atividade só veio se desenvolver de fato em meados dos anos 50 com o
interesse de profissionais por especialização, desenvolvimento de cursos (FGV /
ECA-USP) e criação da Associação Brasileira de Relações Públicas (1954),
trilhando nas décadas seguintes um caminho de encontros e desencontros entre a
teoria e a prática! Crescemos como profissão e como campo do conhecimento em
comunicação.
O entendimento
da origem desta atividade centenária no Brasil sugere, entretanto, uma reflexão
sobre as contribuições trazidas ao cenário brasileiro. Destaco primeiramente
que fazer Relações Públicas no Brasil não é o mesmo que fazer Relações Públicas
nos Estados Unidos; somos um povo de contato, de troca, de interação. Assim,
aprendemos que fazer “RP” requer mais que instrumentos, que canais de
comunicação; requer entendimento do contexto, dos públicos, dos interesses
envolvidos e uma grande dose de criatividade, de emoção e intercâmbio com as
partes interessadas.
Outra
questão diz respeito ao nosso “pseudo fechamento”, ou como oficialmente discutimos,
a Regulamentação da Profissão no Brasil. Vejo a Lei 5.377 como um mero instrumento
para instituir uma profissão e, quanto a isso, a discussão ainda vai longe...
Somos, na prática das empresas, das agências, das universidades uma atividade
transversal de gestão e de comunicação que entende as partes, que se abre ao
debate, que aceita as
diferenças, que acolhe os pares, que olha para frente e para o que realmente
interessa, o público, o cliente, o consumidor, o cidadão! A lei não reflete a
dinâmica e a postura dos profissionais de Relações Públicas no mercado.
Também aponto
a incompreensão da atividade e, consequentemente, da atuação do profissional,
mas não acredito que seja responsabilidade dos profissionais – eles sabem bem o
que é e o que faz Relações Públicas. Num cenário em que a informação, a transparência,
o respeito ao cliente, ao funcionário, à comunidade, à imprensa nunca foram
valorizados pelas organizações, não há como se estabelecer uma prática efetiva
de RP. Mas isso está mudando, hoje a comunicação não está apenas nas mãos das
empresas, está também com os públicos!
E, para
encerrar deixo manifestada minha alegria de poder comemorar neste 2 de dezembro
de 2014 o centenário da profissão com um olhar promissor. Há tempos venho
acompanhando o reposicionamento da profissão no mercado frente às exigências de
uma nova comunicação, agora muito mais pautada pela filosofia de Relações
Públicas que pela da imprensa, da mídia, do marketing ou da publicidade, que
nos últimos anos direcionou a prática da comunicação das empresas. O momento
pede relacionamento, engajamento, respeito à opinião do público e estas são
premissas da profissão de Relações Públicas.
Por Prof. Me. Aline Fernanda Lima

Nenhum comentário:
Postar um comentário